Em indústrias farmacêuticas, a água purificada é um componente crítico do processo produtivo que entra em contato direto com o produto, com os equipamentos de produção e com as superfícies que precisam ser mantidas limpas e livres de contaminação. Por isso, o sistema que a produz e distribui precisa estar qualificado, monitorado e mantido dentro das especificações regulatórias aplicáveis.

A qualificação de sistemas de água purificada é uma exigência direta da ANVISA, do FDA e da EMA, e um dos pontos que mais gera não-conformidades em auditorias regulatórias de indústrias farmacêuticas, porque esses sistemas frequentemente não têm qualificação documentada ou monitoramento adequado para sustentar uma inspeção regulatória.

O que é água purificada e por que ela é importante

Água purificada é a água que passou por processos de purificação, como osmose reversa, deionização ou destilação, para remover impurezas químicas, microbiológicas e particuladas até os níveis especificados pelas farmacopeias aplicáveis.

A Farmacopeia Brasileira, a United States Pharmacopeia e a European Pharmacopoeia estabelecem especificações para água purificada utilizada em processos farmacêuticos, incluindo limites para condutividade, carbono orgânico total, TOC, e contagem microbiana.

Água purificada fora de especificação tem impacto direto sobre a qualidade do produto, a validade dos processos de limpeza e a conformidade regulatória de toda a operação que depende dela. Uma não-conformidade no sistema de água purificada pode comprometer simultaneamente múltiplos processos e produtos da fábrica.

Quando a qualificação do sistema de água purificada é obrigatória

A RDC 658/2022 estabelece que sistemas de utilidades críticas, incluindo sistemas de água purificada, precisam ser qualificados antes do uso em processos regulados. O FDA, por meio do 21 CFR Part 211, e a EMA, por meio das diretrizes de BPF, estabelecem requisitos equivalentes.

Além da qualificação inicial, o sistema precisa ser requalificado sempre que ocorram mudanças significativas, como substituição de componentes críticos do sistema, ampliação da rede de distribuição, mudanças nos parâmetros de operação e resultados fora de especificação recorrentes que indiquem degradação do sistema.

As etapas da qualificação de sistemas de água purificada

A qualificação de sistemas de água purificada segue a mesma sequência lógica de qualquer qualificação de equipamento ou sistema, com etapas e pré-requisitos definidos que precisam ser respeitados.

ERU/URS: Especificação de Requisitos de Usuário

O ponto de partida é a ERU/URS, que documenta os requisitos do sistema, incluindo a capacidade de produção necessária, os pontos de uso e as especificações de qualidade da água em cada ponto. A ERU/URS é a referência para avaliar se o sistema instalado atende ao que foi especificado e serve de base para todas as etapas subsequentes da qualificação.

Plano de Qualificação

O Plano de Qualificação define a estratégia, o escopo, as etapas e o cronograma da qualificação do sistema. Ele precisa estar aprovado antes do início de qualquer atividade de qualificação.

IQ: Qualificação de Instalação

A IQ verifica se o sistema foi instalado conforme as especificações do fabricante e os requisitos definidos na ERU/URS. Na prática, isso envolve a verificação dos componentes instalados, como membranas, filtros, colunas de deionização e sistema de distribuição, a confirmação de que os materiais em contato com a água são adequados para o uso pretendido, a verificação dos instrumentos de medição e sua calibração inicial e a confirmação de que o sistema foi instalado conforme o diagrama de processo aprovado.

OQ: Qualificação de Operação

A OQ comprova que o sistema opera dentro dos parâmetros definidos em todas as condições previstas. Ela avalia o funcionamento de cada componente do sistema, os parâmetros operacionais críticos como pressão, fluxo e temperatura e a efetividade dos sistemas de controle e alarme.

PQ: Qualificação de Performance

A PQ é a etapa mais extensa da qualificação de sistemas de água purificada. Ela comprova que o sistema produz e distribui água dentro das especificações farmacopeicas de forma consistente ao longo do tempo, nas condições reais de operação.

A PQ de sistemas de água purificada é conduzida em três fases, conforme recomendado pelas diretrizes internacionais:

Fase 1: monitoramento intensivo do sistema por um período mínimo de duas a quatro semanas, com amostragem diária em todos os pontos de uso para estabelecer o perfil de qualidade da água em condições normais de operação.

Fase 2: continuação do monitoramento por um período adicional de dois a quatro meses, com frequência de amostragem reduzida, para confirmar a consistência do sistema ao longo do tempo e em diferentes condições operacionais.

Fase 3: monitoramento de rotina por um período mínimo de um ano, cobrindo as variações sazonais que podem impactar a qualidade da água, como variações na qualidade da água de abastecimento e variações de temperatura ambiente.

Parâmetros importantes de monitoramento

Os principais parâmetros monitorados em sistemas de água purificada são:

Condutividade: indica a presença de íons dissolvidos na água. A Farmacopeia Brasileira e a USP estabelecem limites específicos de condutividade para água purificada, que variam conforme a temperatura da água no momento da medição.

Carbono Orgânico Total, TOC: indica a presença de compostos orgânicos na água. É um indicador sensível de contaminação orgânica e de eficiência dos processos de purificação.

Contagem microbiana: avalia a carga microbiológica da água em cada ponto de uso. Limites de alerta e de ação precisam estar definidos e documentados, e resultados acima dos limites de ação precisam ser investigados formalmente.

Sanitização do sistema: sistemas sem protocolo de sanitização adequado tendem a desenvolver biofilme nas tubulações e nos componentes do sistema, comprometendo a qualidade microbiológica da água em todos os pontos de uso. O procedimento precisa estar validado, com comprovação de que é efetivo para controlar a carga microbiana do sistema dentro dos limites especificados. A frequência de sanitização precisa estar definida com base no histórico de monitoramento microbiológico do sistema.

O que a ANVISA espera encontrar em uma auditoria

Em uma inspeção regulatória, o auditor vai verificar se o sistema de água purificada tem qualificação documentada e aprovada, se o monitoramento de rotina está sendo conduzido com a frequência definida e se os resultados estão dentro das especificações, se desvios nos parâmetros monitorados foram registrados e investigados formalmente, se o procedimento de sanitização está validado e sendo executado conforme definido e se existe rastreabilidade completa entre os resultados de monitoramento e os lotes de produto produzidos com a água gerada pelo sistema.

A ausência de qualquer um desses elementos pode resultar em não-conformidade com impacto direto sobre todos os processos que dependem do sistema de água purificada.

A CQV Solutions atua na qualificação de sistemas de água purificada para indústrias farmacêuticas, desde a elaboração da ERU/URS até o fechamento do relatório de PQ, garantindo conformidade com as exigências da ANVISA, FDA e EMA e com as especificações das farmacopeias aplicáveis.

Entre em contato e saiba como podemos apoiar a qualificação do sistema de água purificada da sua operação.

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